terça-feira, 7 de outubro de 2008

Marcelo Montalvão é advogado e escritor com vários contos e poemas publicados. E-mail montalvao@montax.adv.br

DOCE

Tão longe quanto possas estar,
Alegra-me poder te amar,
Desejo ainda te ver sorrir
Por tanto tempo que eu possa conseguir.

Mel que adoça minha alma
Para despertar paixão de um sonho aflito.
Do amor e encanto regozijo,
Por força daquela que visito.

Verei teus olhos diariamente,
Não mais sobrestarei desejos fortes,
Comiseração de corpos nus em minha mente,
Teu coração, já, é minha sorte.

Que é minha, a natureza anima,
E aos olhos dos outros, espanto causa.
Teu sorriso, como o sol, me fascina,
E meu espírito, da solidão, teus lábios salvam...


PAIXÃO

O homem apaixonado espreita sua paixão
Durante longas horas, sob sol ou chuva,
E alegra-se ao vê-la, e, incessantemente
Busca transpor as barreiras que existem
Entre ele e sua amada, com o semblante da alcoviteira,
Que perscruta os passos de sua vítima
Com o olhar perspicaz da coruja,
Mas com o coração acelerado
Como as diligências da morte durante a guerra.

Esse homem, feliz diante das vicissitudes da vida,
Não espera perder-se no labirinto de sua vontade,
Exaltada pelo encanto feminino
Ardilosamente utilizado pela sua dona - objeto dessa vontade.
É o sentimento viciado,
Pronto para sugar do apaixonado o controle de si mesmo,
Tornando-o doente de doença cujo principal sintoma
É fazer com que o enfermo prefira o mal à cura.
É a paixão, é a loucura...

Mas com o excesso dos sintomas;
A exasperação da paixão, seguida pela rejeição ingrata,
O desprezo sonolento do desdém, a suspensão do ópio,
Pode esse homem curar-se do mal,
Tal qual criança que cura-se de sarampo,
Mal perigoso que vislumbra iminente cegueira,
Ou até mesmo a morte,
Mas que com a convalescência torna-se imune.

A paixão curada
Torna o homem um ser obediente às obrigações
E displicente com as emoções.
A alma despretensiosa do amante
Desperta de seu êxtase febril de jovem apaixonado
E depara-se com a crua realidade da vida;
O bafejar dos esgotos e o mendigar dos esfomeados.

Infelizmente (sob ótica lírica),
O homem liberto da paixão fica com o coração tíbio,
Os passos apressados e os olhos atentos.
Ele não sonha acordado, como os toxicômanos,
Não busca prazer nas coisas simples da vida,
Não sorri, enfim, não se submete a alegria dos bobos,
A alegria dos apaixonados...


FELICIDADE

Ela invade a alma, que sorte,
Seu baque seco faz quedar mil corpos,
Entorpecendo a mente torpe,
Ígneas fagulhas saem dos poros...

Ah! Que sensação maravilhosa,
Ópio e benção de nobre sentimento,
Comunhão com o cosmos, a vida,
Sente-se muito bem ao lado da amiga...

Conjuntura paradisíaca de poucas horas,
Surgindo tal qual o sol na aurora,
Desperta no blasé o gosto pela vida,
Anunciando que, no oposto, há saída...

Clímax espiritual desde então,
Permitindo-se viver em qualquer cidade,
Possuindo o que no vivant aflora,
Ao lado da irmã de nome Felicidade...


REFÚGIO

Ah! Deixe-me voltar para meu Baudelaire.
O silvo da noite afugenta meu sono,
E as filhas de Babel não satisfazem meus desejos,
E o vinho trai minha infelicidade...

Ah! Deixe-me voltar para meu Baudelaire.
Onde fantasias de aventuras, por mim são aspiradas,
E a sorte dos personagens identificam-se com meu semblante,
Onde a aurora é irrealmente fria, e a solidão angustia,

Ah! Deixe-me voltar para meu Baudelaire.
O sorriso da amiga transformou-se em perfídia,
O acalanto materno - pesadelo,
A força interior – insubordinada soberba,
Ah! Deixe-me, de uma vez por todas, voltar para meu Baudelaire...


AZUL

De ver-te chegar eu gosto,
Pois usurpando atenções te mostras,
Nos momentos de mundo de palavras,
Dos corações nasceram asas...

Passado frio enervou-se em brasa,
Lânguido órgão escarlate,
Pulsando rápido ao sabor da sorte,
De não ver-te, prefiro a morte...

Súbito, o desejo percorre minha mente,
Que será de minha alma agora,
Da paz fiquei viúvo desde então,
Desassossego em meu peito – solidão...

Quão belo é o rosto de Perséfone,
Que da alma o semblante é o espelho,
Seus olhos jamais refletirão um covarde,
Na céu sou teu amigo, no inferno teu Hades...


VINGANÇA

Esperança vil de satisfação da alma,
Vingança em sua sórdida forma.
Lágrimas alheias não lavam a honra,
Nem apagam decepção nossa...

O céu está azul agora,
À noite, estrelas ainda brilham.
O homem arrepende-se na hora,
As faces, com ódio, definham...

Seja o ódio perempto,
A maldade alijada da força.
O fogo, quente como paixões,
Para acender esperanças: canhões...

O calmo tempo é pai da serenidade,
Ninguém é o mesmo após tantos anos a fio.
A vida é longa, cheia de surpresas,
E a vingança é um prato que se come frio...


FERIDA

Foi você quem não me quis mais.
Seu cheiro era meu ar,
Seu suor, meu vinho,
Seu sexo, meu lar...

Foi você quem não me quis mais.
Eu não suporto perder,
Dói muito o mertiolate,
Na ferida aberta por você...

Foi você quem não me quis mais.
Agora desconheço o amor,
Sei apenas o que é luxúria,
Mas não sinto teu calor...

Foi você quem não me quis mais.
Agora o orgulho me empata,
De ser feliz com você,
Te amar sem medo ou mágoa...


MADIAN

Carruagem que demora em trazê-la,
Para alegria dos invejosos, tristeza minha.
Demoras, eternidade da hora,
Ao chegar, teu colo me consola...

Corredor negro, talvez imundo,
Conduzindo rumo ao infortúnio.
Sinistro que torna-nos crentes e fortes,
Na vida e na felicidade, não na morte!

Olhos castanhos, cuidado!
Há tempos não vejo a flor do recato,
Desacostumado, tua desventura deixa-me aflito,
Sob teu encanto, desejo levá-la para meu quarto...

Anoitece, as convenções exigem a tua volta.
Ingrato serei, mas não levar-te-ei,
Foges sem tempo, evita o agravo,
Da saudade, mais ligeira que seus passos...


MAGAS

Passem por onde o povo passeia,
Para que eu me deleitar possa,
Encantos façam para que enriqueçam
Bebam vinho na festa, a ceia.

Caça e predador, vidas noturnas,
Sombras ocultam delírios de gozo e dor,
Vitimada a oferenda pela jugular,
Sofrendo perdas sem antes procurar.

Derramem libações na lua cheia,
Síndrome de insolentes psico-bruxas,
No mar, híbridas sereias,
Na terra, arquétipo de putas.

Aderem carne na carne, é bom!
Penetrem meu falo em suas fossas,
Sorvam o sêmen do inquisidor,
Para que um mago amar possa.


ILÍADA

O tempo é a dor dos que fazem amor,
Maldito padrasto de casta donzela,
Incrustado, atrapalhando, que dor,
Inexorável, ele não tem pena dela...

Mulher com nome de poesia,
Presente insidioso de domínio aludido,
Horas nunca são iguais,
Sob teu olhar, bravos se consideram vencidos...

O frio então se ausentou: é um sonho,
E o calor afaga esperanças mortas,
Minha alma desperta com sono,
De uma vida em cidadela imunda...

Partirei soberbo, com a espada abençoada,
Ó Marte! Rogo-te sorte,
Desejo sentir nos braços a amada,
Sem ela temo a vida, não a morte...


LEMBRANÇAS DE SOLDADO

Soldados e batalhas eu vi.
Brados ressonantes de centúrias aprendi.
O silvo de flechas, sob meu ombro, ouvi.
Sob o canglor do aço de espadas estremeci.
Ávido por lutas e conquistas, ouro e prata consegui.
O jorrar do sangue inimigo, fiz cumprir.
As ambições do rei não questionei.
Fui resoluto em meu trabalho, e esbanjador com meu soldo.
Tenaz e forte, sentia-me o tal.
Ante o olhar frio e profundo do general.
De sentinela à noite, às vezes dormia.
Sonhos com minha amada, e pesadelos dessa minha jornada.
A saudade dos teus lábios arde mais do que as feridas.
Saudade da tua boca vermelha como o sangue,
E prazerosa como uma batalha vencida...

ENCANTADORA

A alegria é imensa com a visão,
De teus olhos brilharem como sóis,
Minha imagem refletida em tua pupila,
Esperando o prazer de teu deleite...

Teu olhar encantador,
E a volúpia do teu corpo sob o meu,
Há muito já me fascinaram,
Áh! Teus olhos...

Caleidoscópios,
Imagem refletindo imagens,
Visão de uma simples esquina,
Andando pelas ruas do centro

A atração é tão forte,
Que o meu lato pensamento nunca para de pensar,
E meu corpo insaciável não esquece de desejar,
Graças a Deus não será vã
Minha vontade de te amar...


FURTIVO

Encontre-me naquele lugar,
Ò dama sensual,
Tu não és somente minha agora,
Por mera convenção social.

Naquele lugar secreto, experimento teu suor e teu corpo,
Fazendo para mim o que é reto,
E, o que para seus pais, é louco...


CIDADE GRANDE

Porto do qual as garotas detestam forasteiros,
E o fazem julgando que é uma virtude,
Esquecem de seus próprios vícios - o dinheiro,
Ilha de ilusões em um mar sujo e insalubre...

Perdição!
Mil e uma noites alucinadas,
De histórias de aventuras translúcidas
Em prazeres sofisticados e dispendiosos...

À custa de sofrimentos e infortúnios,
Vive o notívago a sonhar com o ouro
Que chega, ainda sim evapora das mãos,
Na mente de noites sedentas de sexo e absinto...

Imensa floresta, selvagem destino,
Meias palavras ocultam a sorte,
De verdades veladas, prazeres distintos.
Que guarda ao forasteiro pedras no caminho...

O fim da noite anuncia mais um dia tumultuado,
Suporte da vida do bardo nesse lugar infernal,
O que com ambição é, para a riqueza, o atalho.
Junto com os vinhos, mulheres e riquezas. Ah!!!

Sonhos que se desfazem por si só,
Antes mesmo do desfrutar da vida.
Um reencontro com a ilusão,
O encontro com a morte, a amiga...


UMA ESFINGE

Ó, Princesa de um deserto árido de alegrias!
Encontrei a felicidade deflagrada pela tua companhia,
Da qual tento recompensar com palavras faladas e escritas,
É uma pena, mas em nenhuma delas acreditas...

Dama da cor das areias do Nilo,
Deusa que surgiu nas trevas, num lugar profano,
Sob um manto azul, cor de safira,
Para em poucos minutos mudar minha vida...

Comparado, fui, com a Esfinge,
Em razão de suposto Mistério,
Que tu não tentas desvendar por puro medo,
A Verdade: minha paixão não é mais segredo...

Por favor, Rainha desse meu deserto,
Não me julgues, não me deixes aflito!
Enquanto ajusto minha sorte à Maldição
Que acompanha o ouro das Pirâmides do Egito...


UM TESOURO

Princesa coroada a catorze do brumário,
Num encontro lascivo, porém de gentil contato,
Permitiu, sorrateiramente, um enlace para depois,
Um coito caloroso, cena incomum em qualquer ato...

Mas, pelos ouvidos de um sórdido poeta,
A linda dama, em dura decisão, foi escutada,
Como foice a ceifar trigais antes da época,
Pôs fim à ventura que lhe restava...

A cidade de sonhos acordou num torpor imundo,
Remorso insuportável tal qual a inevitável saudade,
Sentida pelo amante audaz - vagabundo,
A culpa lhe cai melhor que a vil sinceridade...

E ao afagar arrependimentos, sonhos liberta,
Presos desde o dia de seu aniversário,
Dia de incomensurável prazer, felicidade e festa,
Que terminou com a confissão fria de um corsário...

Ó, Minha Princesa! Perdoa?!
Pela intromissão, em tua vida, como se fosse à toa,
Não é por acaso que um forasteiro conquistou o ouro,
Escondido há mais de dois anos, verdadeiro Tesouro...


TRISTEZA

Tal qual um espírito que se esconde
Na frieza da mãe natureza,
Sob lápides e ermos túmulos onde,
Eu foi sentir a tristeza.

Sentia dor e a dor que sentia,
Não era dessas que o conhaque conforta.
Doía assim como melancolia,
A morte da alma à minha porta.

Mas ela não virá meu fim!
Por isso corri com medo dela.
Para desvencilhar-me de sua chaga,
Que nasce no espírito tal qual uma praga.

Velha amiga de horas impróprias,
Trazendo apenas o que não presta.
Essa que parece uma cadela
À morder aqueles que estão na fossa.


DESPERTAR NOTURNO (NOCTÍVAGO)

À noite, soa estridente e corriqueira campainha,
E desperta um jovem de seus sonhos de menino.
Hoje, aquela chama a apagar-se deixa um brilho,
Tal qual felizes lembranças: último suspiro.

Do outro lado do mundo, uma linda voz
Amiga, velha, porém não esquecida,
Avisa a passagem de cenas magníficas,
Recordações de guerra, amor e intrigas.

Coração triste e saudoso, não dorme,
Pensamentos de fortuna assassinam paixões,
Único motivo para caminhar ao sul,
Perto do mar, céu sem nuvens e um horizonte azul.


SAUDADE

Mal súbito! D’onde vens, ó mundana?
Cadela mater, maddona impura,
Corpo doente em uma dama
De alma negra - cerveja escura.

Porca que traz a dor do peito
Desta como a de ter levado uma surra.
Nas noites andarilhas, ou no leito,
Eu fui ter contigo, sua puta da rua.

Irmã do desassossego, infortúnio d’alma,
Eterna nostalgia, fonte de inspiração.
Nos sonhos transbordavas calma,
Na vida, tomava- me a mansidão...

Ah! Dormir novamente, rever a amada,
Tão longe daqui, em terra encantada.
Absinto da tristeza, um mundo cor de jade,
Fazendo esquecer, no poeta, a Saudade.


VADIA

Meu bem-estar nunca foi de teu interesse,
E a cavidade de tua vagina arde em chamas.
Calúnias, feres aquele que te ama.
Porca, sedenta de sangue numa hora devassa.

Tua carne como, como aquela que tu assas
Em teu churrasco de Babel, festim gomorrento.
Sóbria, cospes injúrias num prato cheio de ressaca,
Servido por um otário, um babaca.

Não és puta! És pior do que isso,
Pois a puta prevarica por dinheiro,
Enquanto tu, fodes por vaidade.
És safada, e teu maior prazer é correr riscos.


LUTAR

Quando o encanto jaz, como a morte, inerte,
Soldados partem em direção à frente,
Jovens soturnos que não questionam a sorte,
Os bravos têm apenas as amadas em mente...

Tal qual o fogo que sai dos olhos do pirata,
Chama da ambição que arde num canhão ardente,
Rubro como a fúria de um vulcão maligno,
Assim é a língua dos que mentem.


UM ALEIJÃO

Ao som da turba à rua barulhenta da Lapa,
Numa janela, apraz-se um espírito inquieto,
Par de óculos vê a fantasia que escapa,
Da carcaça singela, quase vil objeto...

Persianas brancas miram entorpecidos adolescentes,
Que, no auge da alienação, soltam gargalhadas ao relento,
Dignas do mais feliz e ébrio dos contentes,
Nos olhos, quase invejosos, um tormento...

Rapaz de tronco fino e estreito,
Um aleijão resolveu levantar do eterno leito,
Fugir da Solidão, inimiga da Luxúria,
Desperta, sob luz azul, toda sua Fúria...

Quasímodo, turvo modo, errabundo,
Só em pensamento, pois, na realidade, prisioneiro,
De seu estado pungido, quase amorfo corpo imundo,
Os olhos a vibrar ante as delícias de um mundo alheio...


UM LÂNGUIDO

Ah! Eterna Juventude, que loucura!
Insaciavelmente, ambiciosa trama,
Desejo profundo de ter mil mulheres nuas,
Lânguidas e prontas para deitar em minha cama...

Não obstante esses sonhos malsãos, ignoro,
Tua fuga e desprezo, razão pela qual imploro,
Um imediato retorno, logo, imagino-te em minha frente,
Sonhar acordado, lembrança entorpecente...

Passantes sucumbiriam facilmente ao bardo,
Mas nada lhe valeria, só aquela inesquecível dama,
Que transforma qualquer mulher em imperceptível fagulha,
Perto de sua marcante presença, verdadeira chama...


O DESPREZO

O desprezo de alguém que se depende dói mais,
E a falta daquilo que te alivia - e compreende -
Não suplanta o vazio da alma do ateu,
Que implora à deidade proferindo a fé que não tem...

O desprezo de alguém que se depende dói mais,
Mas o retorno ao estado anterior é reconfortante,
Como viver bem e em paz,
O prazer e a felicidade são mais importantes...

Ah! O desprezo de alguém que se depende dói muito mais.


AO BAUDELAIRE, POETA DO VINHO.

"...Bebo um vinho que me infunde,
Amargura e calma.
Um líquido céu que difunde
Estrelas em minha alma..."

Leio a estrofe,
Penso no grandessíssimo poeta, com saudade,
Como se dele eu tivesse plena amizade...

Impossível: as matérias não se cruzaram,
Nem no tempo nem no espaço,
Apenas os sonhos e os delirantes pensamentos,
Aproximam os poetas com um atemporal laço...

O tinto seco já desceu mais de uma vez a garganta,
Tal qual Perséfone em direção a Hades,
Embriagues gradual, lenta e vertiginosamente,
Deixando para trás o vazio que se sente...

Ah! Baudelaire, poeta do vinho,
Tua desventura não anima os sonhos,
Só tuas histórias, belas como um hino
Às vicissitudes da vida, às sendas, ao destino...

Ó escultor da crudelíssima verdade,
Das noites com ciganas e prostitutas judias,
Conta-nos desejos que, para nós, seria vergonhoso,
De um modo tão belo que criastes um estilo novo...

Rei do simbolismo, poeta da verdade,
Tua crueza só perde para tuas palavras,
De conteúdo sórdido e escandaloso,
Como podem tuas linhas ser tão perfumadas?...

Eterna descrição de personagens problemáticos,
Relatos metafóricos de um tempo, uma cidade.
Tuas obras são ímpares, e de valores máximos.
Paris foi testemunha da tua nobre singularidade...

Irmão da confraria do vinho,
Infernal e delirante poeta,
Que a vida escarneceu com palavras lindíssimas
Sentimento maravilhoso, palácio de portas abertas...


C

Companhia ainda não experimentada,
Contudo, a melhor das namoradas.
Franca, doce e prestativa,
Em terra estranha, a melhor amiga...


AS DUAS

Pensamento que se alterna em duas mulheres,
Sonhos diferentes que transcendem meu corpo,
Ambas representam a felicidade,
Ideal latino de amor louco...

A culpa já se transformou em saudade,
E a vontade há muito tempo explode
No coração aflito e no ventre eufórico,
O pecado é a alegria, é a minha sorte...

A esperteza afasta outras aventuras,
Proibidas e desinteressantes loucuras,
Insensatos desejos não têm lugar a essa altura,
Em que sonhos se encontram numa só ternura...

Foge! Vai à terra outrora esquecida,
Onde sonhos tão díspares não têm guarida,
Lugar tão comum quanto a palavra ingrata,
O medo do sonhador em perder esta vida...


Marcelo Montalvão.

6 comentários:

Ruy disse...

Nesta família só tem artista.
Não esqueça de me convidar para o lançamento. Parabéns.
Ruy.

Luiz disse...

Prezado,

Parabéns pela conquista, desejando muito mais sucesso nesta jornada extra-advocacia. Abraços. Dr. Luiz Medeiros

Mimi Bueno disse...

muito legal. vc tem talento hein

Sabrina Taylor - NYC disse...

Dr. Montalvao

Prova concreta de sua essencia apaixonada e predestinada, agora imortalizada.

Motivo este, de minha grande admiração e amizade pela eternidade.

Sabrina Fernandes Ferraz

cristiane disse...

Dr. Marcelo
que vc continui sempre sendo um ex adv e um maravilhoso poeta
parabéns

Cláudia Cristina

11f424cbfa2e896f4f29e91e357d10b8b46097e26e disse...

Prezado Marcelo, parabéns pelo ofício literário! Gostaria de ler outros poemas de sua autoria. Nosso Rio de Janeiro tem muitos poetas que silenciosamente tecem verdadeiras maravilhas com as palavras. Abs. Rodolfo. rodolfosferreira@ig.com.br